Casada, solteira, namorando…
Não tem jeito: basta fazer sexo sem proteção para correr o risco de pegar uma
doença sexualmente transmissível. E as grávidas, é claro, estão incluídas neste
grupo. Pensando nisso, elaboramos uma lista com algumas das DSTs mais comuns e
aquelas que, embora mais raras, ameaçam a saúde do bebê e o andamento da
gestação. Confira:
HPV
A infecção pelo papilomavírus
humano é uma das DSTs mais comuns do mundo. Para se ter ideia, um estudo
recente revelou que mais da metade da população jovem brasileira pode estar
infectada com algum dos tipos do vírus.
Ele pode ser transmitido ainda
no útero e não ameaça a vida do bebê, mas pode resultar em verrugas genitais
ainda na infância, se a mãe for portadora dos tipos associados às verrugas, ou
ao câncer de colo de útero na vida adulta, se o HPV for um dos relacionados aos
tumores.
Para garantir, o médico faz um
papanicolau só na região externa do colo do útero no começo da gestação caso o
exame não esteja em dia. Se houver alguma lesão que indique a presença deste
inimigo, ela deve ser removida e investigada.
Sífilis
Ela é causada por uma bactéria
que consegue ultrapassar a barreira da placenta e atingir o bebê que, na
maioria das vezes, terá sequelas dessa contaminação e corre até risco de vida.
Por isso mesmo, o exame para detectar a doença é obrigatório em vários momentos
da gestação.
Ela é, aliás, uma das que mais
preocupa os médicos, especialmente porque sua incidência só cresceu nos últimos
dez anos. Para se ter ideia, foram 5.904 casos de sífilis congênita em 2006
contra 20.474 em 2016 segundo o Ministério da Saúde. Trata-se de um aumento de
mais de 340%.
Clamídia
Eis uma DST silenciosa de
prevalência quase desconhecida no Brasil, uma vez que não entra na lista de
doenças de notificação obrigatória do Ministério da Saúde. Mas se sabe que é
bem comum – a OMS (Organização Mundial de Saúde) estima 131 milhões de novos
casos ao ano no planeta.
A clamídia dá mais trabalho na
verdade antes da gravidez: obstrui a tuba uterina e está ligada à infertilidade
feminina. Mas as gestantes também devem ficar atentas com o problema, pois ele
pode provocar o parto prematuro e ser transmitido ao bebê durante o parto. Daí,
há o risco de conjuntivite, pneumonia e outras complicações.
A infeção, provocada por uma
bactéria, às vezes nem tem sintomas ou eles são muito discretos. Pode haver uma
secreção fluida sem muita cor ou cheiro, aumento da produção de xixi e dores na
região pélvica. O tratamento é feito com antibióticos liberados para uso
durante a gestação e deve incluir o parceiro, regra que, aliás, vale para quase
todas as DSTs. Afinal, pouco adianta curar a infecção para recebê-la de novo.
Gonorreia
A bactéria por trás dessa
doença passa facilmente de um hospedeiro para o outro e se instala no canal da
urina, a uretra. Ali, provoca uma infecção com sinais mais evidentes. Há uma
secreção amarela e purulenta, além de dor para fazer xixi. Seu tratamento
envolve o uso de antibióticos e não deve ser menosprezado, pois a bactéria pode
atingir outros locais do corpo, além do incômodo que causa na própria região
pélvica.
A transmissão para o bebê
ainda no útero é rara. O problema maior está no parto, quando o micro-organismo
causador do quadro pode provocar conjuntivite e até cegueira. É por isso que os
médicos pingam gotinhas de nitrato de prata nos olhos dos pequenos no
nascimento.
Herpes
O tipo 1 do vírus, que pode
causar feridas na boca, é muito comum na população e não costuma oferecer
riscos ao bebê ainda barriga. Embora seja perigoso para os recém-nascidos, vale
dizer, o risco real está nas lesões genitais, provocadas quase sempre pelo tipo
2.
Há uma chance pequena de
transmissão dentro do útero, por isso o tratamento deve ser feito à risca com
medicamentos antivirais. Se as feridas estiverem presentes no final da
gestação, é preciso considerar o parto cesárea, pois o vírus oferece riscos
sérios ao bebê, que ainda não tem defesas suficientes contra ele.
Tem um detalhe: os membros
dessa família nunca deixam o corpo. Eles seguem escondidos e se aproveitam de
baixas na imunidade para voltar a provocar feridas. Então o parceiro pode
transmitir o micro-organismo para a mulher mesmo que nunca tenha manifestado a
doença. Por isso, é importante usar camisinha ou se certificar de que ambos não
estejam contaminados – regra que, mais uma vez, vale para as outras DSTs.
Candidíase
A cândida, fungo por trás da
candidíase, que provoca coceira, corrimentos esbranquiçados e dor, é inofensiva
ao bebê. Que, aliás, também carregará esse micro-organismo como parte de si,
assim como quase toda a população. Por isso, a candidíase não pode nem ser
chamada de DST, uma vez que aparece espontaneamente por conta de outros fatores
que desequilibram a flora vaginal.
Mesmo assim, vale procurar o
médico para verificar as causas da proliferação. E tratar os sintomas, que
costumam ser bem incômodos. O combate é feito com pomadas ou medicamentos
antifúngicos, dependendo da gravidade da situação.
Hepatite B
Hoje as crianças são vacinadas
logo após o nascimento, mas antigamente não era assim. Todos os que chegaram ao
mundo antes de 1998, quando o imunizante foi incorporado no Sistema Único de
Saúde, e que não tomaram a vacina depois disso podem contrair a doença pelo
contato sexual.
Assim, os médicos costumam
pedir o exame como parte do pré-natal e, caso dê positivo, pode-se optar por
tratamentos antivirais. Depois do parto, o bebê toma uma injeção de
imunoglobulina humana junto com a vacina para eliminar o perigo.
HIV
Há uma tendência de aumento
nos casos entre as gestantes, mas, segundo o Ministério da Saúde, isso se deve
por conta do aumento na realização de testes rápidos. Em 2012, foram cerca de
365 mil exames distribuídos na rede pública para as futuras mamães, número que
saltou para mais de 3,3 milhões só entre janeiro e outubro de 2017. O que é
ótimo pois, quanto mais cedo o HIV é detectado, menor a chance de ele causar
estragos.
Os medicamentos de hoje em dia
têm menos efeitos colaterais e conseguem controlar bem a carga do HIV em
circulação, mantendo a doença em si longe. Por isso mesmo, as soropositivas
podem engravidar e ter bebês saudáveis, desde que com acompanhamento e uso de
medicações para mãe e filho. Já se a mulher descobre durante a gravidez que tem
o vírus, precisa começar o tratamento para manter a carga viral baixa até o
parto. O controle é importante pois basta um descuido para que ele volte a se
multiplicar e derrubar as defesas do organismo.
Evitando os problemas
Muito melhor do que tratar
todas essas doenças ou ter que pensar se elas atingirão o bebê é se prevenir. E
esse, infelizmente, é um campo onde temos falhado, segundo os especialistas.
Mais do que não abrir mão do preservativo, a prevenção passa também por
conversas francas com o parceiro, os médicos e derrubar tabus, como o teste do
HIV.
